Como a gente tem tentado deixar o isolamento social mais leve

O isolamento social, causado pela pandemia de Covid-19, tem mudado a cada dia a vida das pessoas em todo o mundo. Ficar em casa tem implicado mudanças na forma com que vivemos, nos divertimos e com que nos relacionamos de forma geral. Muitas pessoas têm até comemorado aniversário digitalmente, reunindo toda a família e amigos! Nunca foi tão importante estar perto.

Além do âmbito pessoal, muitas adaptações também foram necessárias de um dia para o outro na rotina de grande parte das empresas e, embora aqui na Pier a gente já estivesse acostumado com o trabalho distribuído, também passamos por adaptações no âmbito do cuidado com as pessoas.

Por isso, a gente decidiu contar um pouquinho do que tem acontecido aqui durante essa quarentena e quem sabe te inspirar com algumas boas práticas para melhorar também o seu dia a dia.

Cuidar da operação &
cuidar das pessoas

Parte de colher os frutos pela escolha do modelo de trabalho que fizemos é o fato de que em plena pandemia, estamos conseguindo investir tempo em cuidar das pessoas, já que a nossa operação continua funcionando quase que 100% normal.

Já falamos por aqui o que é e como a Pier adotou o modelo de trabalho distribuído e por que a gente acredita que é possível operar dessa forma. Além do prazer de poder escolher o local que mais te deixa bem para trabalhar e, consequentemente favorecer a produtividade, a possibilidade de evitar deslocamentos em um dia comum de trabalho em um grande centro urbano, significa ter mais qualidade de vida e mais tempo para dedicar ao que realmente importa. Mas, e quando o home office não é mais uma escolha, mas sim a única opção? 

Com essa mudança de contexto causada pelo isolamento social, o cuidado com o corpo e mente se torna super importante, assim como o cuidado com a rotina de trabalho equilibrada à vida pessoal. O dia de trabalho distribuído é positivo quando você consegue fazer o que precisa ser feito durante o período normal de trabalho, com todas as pausas necessárias para se alimentar, ir no banheiro ou até mesmo só esfriar o cérebro depois de uma longa e intensa reunião. Ter momentos que quebram a rotina do home office podem definir se um dia de trabalho foi produtivo ou só muito cansativo.

Produtividade exige esforço e disciplina

Ficar em casa o tempo todo pode levar o home office para um caminho indesejado: o de colocar o cérebro no modo focado o tempo todo e trabalhar por mais horas que o normal. Seja porque você não viu o tempo passar, ou porque ficou “empacado” em uma atividade difícil, isso não deveria se repetir com frequência porque pode te levar à exaustão extrema e acabar com o prazer em executar tarefas que eram antes motivos de alegria.

Os pesquisadores Barbara Oakley, Terrence Sejnowski e Alistair McConville, autores do livro Aprendendo a Aprender para Crianças e Adolescentes, falam como os modos difuso e focado do cérebro podem mudar a forma como ele registra e processa informações. 

Eles explicam que alternar entre os dois, ou seja, relaxar a mente durante atividades que exigem muita concentração, pode ajudar encontrar soluções para problemas e que isso é o motivo pelo qual às vezes surgem boas ideias durante caminhadas ou depois de uma boa noite de sono, por exemplo.

Nesses tempos, oferecer atividades e momentos que favoreçam essa mudança do modo de pensar durante o dia de trabalho é essencial no auxílio às pessoas em sua busca pela produtividade. Além disso, certas atividade induzem a convivência social que antes era favorecida pelos corredores do escritório, o café da copa, ou mesmo uma ida ao parque. 

Algumas coisas que temos feito

Para saber lidar com o distanciamento e com os períodos de alternância entre o modo focado e difuso do cérebro aqui na Pier, enviamos convites fixos em alguns dias da semana para todos os Piers que quiserem exercitar de forma leve o corpo e a mente.

Pra ajudar todo mundo a se alongar em casa e relaxar um pouco a gente tem contado com a ajuda de professores de ginástica e todas as nossas sessões acontecem por videoconferência.

“Movimentar o corpo na quarentena é primordial. Traz benefícios físicos e mentais. Além, de ajudar no cumprimento de uma rotina e disciplina no dia a dia. É importante parar de 20 a 30 minutos no seu dia para movimentar o seu corpo, isso fará com que sua circulação seja ativada, provocará a liberação de hormônios e substâncias essenciais para o seu bem-estar e imunidade. Os exercícios estimulam o bom funcionamento do seu organismo e melhora considerável da imunidade. Nas aulas trabalhamos a movimentação geral do corpo, alongamento e técnicas de respiração que serão muito úteis a se manterem saudáveis e felizes!” – Fernanda Andrade, especialista em Qualidade de Vida Corporativa e quem faz a Pier toda se movimentar.

Além dos momentos pra trabalhar o corpo, também fazemos sessões de meditação de 20 minutos com os Piers 3 vezes por semana por videoconferência. 

Uma das personalidades mais reconhecidas no país quando se fala de meditação é a Monja Coen, monja zen budista e fundadora da Comunidade Zen Budista em São Paulo. Segundo ela, a meditação não é simplesmente uma forma de relaxamento, mas sim um prática que facilita o autoconhecimento, identificando os estados mentais e os meios de alterá-los e que vai além do indivíduo – é um conhecer da vida em sua pluralidade. 

Entender a si mesmo e os seus sentimentos nunca foi tão importante, principalmente em tempos que a sua principal companhia é você mesmo.

Além disso, já está cientificamente provado que a meditação pode ser extremamente eficiente na busca pela produtividade, já que permite que estejamos focados no momento presente, como fala esse artigo da Harvard Business School:

“O mindfullness ajuda as pessoas a focarem nas suas atividades, abordar problemas com a cabeça aberta e evitar levar discordâncias para o lado pessoal (…) Quanto maior o nível de mindfullness em um time, menor o nível de conflito no relacionamento deles.” 

Companhia na pandemia

Além das atividades que foram propostas pela própria empresa, abrimos espaço para os Piers poderem compartilhar momentos ou só fazer companhia em alguns minutos de conversa espontânea. Foi assim que surgiu a “reunião” diária, que chamamos no time de Brand & Content de Café da Tarde e que foi batizada de tantos outros nomes por outros times que também fizeram rituais parecidos.

Mesmo que a gente se comunique o dia todo, o café se tornou um espaço para as pessoas poderem compartilhar ideias, sentimentos, pra falar da vida e não de trabalho. É o momento para se aproximar mesmo estando longe.

“Não é todo dia que participo, mas tem ajudado demais em dias que estou precisando conversar com outras pessoas fora de casa. Conversar sobre assuntos que fogem o do trabalho ajudam a dar um respiro mental e seguir o trabalho de maneira mais leve depois.” – Chell, nossa Designer na Pier.

Além do café, os Piers tem outro gosto em comum: o de cozinhar! Nos happy hours normais de antigamente, pedíamos comida por delivery ou até íamos comer em outro lugar, mas ninguém de fato cozinhava. Agora esse hábito virou uma atividade que os Piers conseguem fazer juntos, cada um da sua casa. Vamos sair da quarentena verdadeiros MasterChefs! 

Até agora, já tivemos duas edições: na primeira preparamos um nhoque de mandioquinha com cogumelos e na segunda um macarrão à carbonara. Os vídeos dos nossos chefs com as receitas estão no nosso IGTV e você pode aprender assistindo aos vídeos:

Quando os pratos ficam prontos o pessoal compartilha as fotos com o resto da empresa e aproveitam para fazer a refeição juntos acompanhada de uma taça de vinho ou uma cerveja, como aconteceria em um happy hour tradicional.

“A experiência foi ótima! Principalmente num momento em que o contato com as pessoas está sendo preterido, ter a oportunidade de nos divertimos juntos e passar um pouquinho das minhas paixões para o pessoal, foi incrível.

Tem um chef chamado Massimo Bottura que diz que ‘cozinhar é amor’. Você investe seu tempo, seu carinho e seu cuidado para entregar para alguém que você quer bem algo que diz muito sobre você. É um processo muito íntimo que a gente trata com muita leveza quando não estamos fazendo sozinhos se você parar para pensar. 

Uma das coisas mais gostosas de cozinhar, é cozinhar com os amigos ou com a família, não é verdade? Quem não lembra daquele almoço de domingo na casa da vó com aquelas receitas antigas de família?

Junto a isso, talvez nossa principal habilidade enquanto Piers é seguirmos próximos mesmo trabalhando distantes uns dos outros. Essa proximidade e essa leveza estão no nosso DNA. Quando juntamos o prazer de cozinhar em grupo com a nossa vocação em nos mantermos unidos – ‘boom’ – é só sucesso!” – Edu, nosso Product Manager e MasterChef nas horas vagas.

Outra coisa que aprendemos a curtir à distância são os games. Toda terça das 19h às 20h é quando ocorre a Noite de Jogos. O pessoal se reúne em uma sala de videoconferência para  curtir alguns jogos que lembram a infância: Stop (também conhecido como adedonha ou adedanha, dependendo de onde você é) e também o Gartic, que é uma espécie de Imagem e Ação na internet.

Também temos utilizado a música para romper barreiras e reduzir a distância entre os Piers. Querer estar numa banda é uma das coisas pelas quais muitos de nós, millennials, já passamos e, lá no fundo, o sonho de ser um super star nunca nos deixa completamente. Mas, como pessoas que não estão no mesmo lugar conseguem interagir com música, principalmente cantando e tocando?

Tocar em uma banda é uma coisa que geralmente se faz estando junto de outras pessoas, mas música também tem tudo a ver com experimentação. A música nos conecta de uma forma tão sublime que nem precisamos estar junto para isso acontecer.

Em 1993, o Frank Sinatra, um dos mais famosos cantores de todos os tempos já fazia experimentação com a gravação de músicas. Neste ano ele lançou o álbum Duets, que consistia em duetos virtuais entre ele e diversos outros cantores de outros gêneros musicais, como Aretha Franklin, Julio Iglesias e Bono Vox. 

Durante o processo de gravação, Sinatra gravava as músicas com a orquestra em um estúdio localizado em Los Angeles, enquanto outros cantores gravaram separadamente em outras cidades, como a Aretha Franklin, que gravou de Detroit, a mais de 3 mil quilômetros de distância.

Um exemplo ainda mais recente de que a experimentação de música distribuída é o projeto Playing for Change, que reúne músicos do mundo inteiro com o objetivo de conectar as pessoas através da música, em prol de mudanças sociais. 

Por aqui, a gente aproveitou o nosso modelo de trabalho distribuído para experimentar também e criamos a nossa banda distribuída. Por enquanto, somos uma banda de uma música só. Mas, em breve tem mais novidades da Pier Band por aí!

Clique para assistir.

Mas, mesmo propiciando todos esses momentos de troca e interação, sabemos que eles não substituem completamente o sentimento de estar perto dos amigos, do aperto de mãos ou o de dar um abraço, mas temos certeza que ameniza o sentimento de estar isolado e aproxima as pessoas em um momento de muita fragilidade emocional.

“As experiências de interação entre as pessoas que estão acontecendo na Pier são importantes porque conseguimos trazer a atenção delas para coisas gostosas de se fazer e que conectam elas emocionalmente umas com as outras. Quando pegamos uma receita para cozinhar juntos, ou jogamos games com pessoas que gostamos, a gente acaba fomentando uma rede de apoio dentro da empresa, mas fora do âmbito profissional. O que mais queremos é que as pessoas se conectem de uma forma sincera e humana, assim isso acaba dando a essas relações um significado mais especial.” – Gabi, do nosso time de People.

Tecnolonia não vai salvar o dia, mas pode ajudar!

Mais do que nunca,nossos celulares e computadores fazem parte das nossas vidas e são essenciais para a nossa convivência. Se antes eles eram apenas objetos usados como passatempos, ou para a nossa organização e comunicação, hoje eles viraram nossa voz, olhos e rosto, o principal instrumento de conexão com as outras pessoas e de se sentir mais perto. 

Aqui na Pier a gente não acredita que a tecnologia vá salvar o dia e substituir a forma de se relacionar com as pessoas, mas entendemos a importância do papel dela, especialmente nesse período em que vivemos. Quando bem utilizada, ela nos permite resgatar algumas  coisas que são muito mais importantes do que ela própria: nosso senso de pertencimento, conexão com outras pessoas, nossas relações de confiança. 

Estamos em um momento de ressignificação das relações pessoais e de trabalho e a tecnologia criou o ambiente para fazer o que sempre fizemos: nos conectar.

Nunca foi tão importante estar junto, mesmo que à distância.

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