Ela está sempre com um livro no bolso e adora um desafio

Thabata Pontes, ou Thabs como a chamamos, não tem medo de desafios. Desde cedo ela sempre gostou de estudar e foi atrás de seus objetivos. Acabou se tornando uma das poucas mulheres do curso de Engenharia Elétrica da USP, no qual aprende a importância da representatividade todos os dias. “Quando todo mundo dizia que Engenharia Elétrica era difícil, eu ficava ainda mais estimulada com o desafio. Além disso, eram só duas meninas entre 80 alunos da sala, então tinha a questão da representação também dentro do curso. Eu tinha que estar lá representando as mulheres.”, conta. Os estudos também vêm no formato de literatura, pois a Thabs adora ler e tem um truque: está sempre com um livro na bolsa para que possa aproveitá-lo durante o transporte para casa, faculdade e, em alguns dias, trabalho. Aqui na Pier, a Thabs faz parte da equipe que cuida de mídias pagas. Ela conta um pouco mais de sua história e rotina por aqui. Inspire-se! 

“Nasci em São Paulo, mas passei alguns anos da infância em Atibaia. Na cidade eu e minha irmã estudamos em escola pública porque não dava para pagar escola particular para ambas. Eu sempre gostei de todas as áreas, gosto muito de aprender, e sempre gostei de fazer muitos cursos, estudar o que pudesse. 

No segundo ano do ensino médio, por exemplo, descobri que havia uma ETEC em Atibaia. Já havia passado o tempo do vestibulinho e tentei uma vaga remanescente. Havia umas 50 pessoas disputando a tal vaga. Eu fiquei em primeiro da lista e entrei.

Fiquei lá do final do segundo ano do ensino médio até o terceiro ano. E quando chegou a época de prestar vestibular, eu já sabia que queria cursar engenharia química.  

Terminando a ETEC, eu prestei Fuvest, mas não estava preparada para passar. Comecei a fazer cursinho e lá a estrutura era muito diferente e eu fiquei apaixonada. Fiz um ano, mas fiquei com medo de não passar porque havia realmente bastante concorrência. Então eu coloquei Engenharia Química como opção, exceto na Unicamp, onde coloquei Engenharia de Alimentos porque a nota de corte era bem mais baixa.

Acabei passando em segundo lugar na Unicamp e, no fim das contas, passei em todas as universidades que eu prestei, mas na USP eu não passei justamente em Engenharia Química, que era a que eu mais queria. Além disso, meu avô morava em São Paulo, a família estava em Atibaia, e se eu passasse na USP poderíamos vir morar com ele. 

Então fiquei aguardando as chamadas da USP sem muita esperança, mas passei na terceira chamada, só que era em Engenharia Elétrica. Não era bem o curso que eu queria, mas fui. Mudamos para São Paulo. Preciso dizer que meu padrasto ajudou bastante porque sempre acreditou que eu iria passar.

Duas meninas e 80 meninos

No início, eu não sabia nem o que eu ia aprender em Engenharia Elétrica, mas comecei a gostar do curso. Tive até oportunidade de transferir para Engenharia Química, mas não quis. E quando todo mundo dizia que Engenharia Elétrica era difícil, e eu ficava ainda mais estimulada com o desafio.

Além disso, eram só duas meninas entre 80 alunos da sala, então tinha a questão da representação também dentro do curso. Eu tinha que estar lá representando as mulheres. 

Na USP, tinha a Poli Júnior, e eu entrei lá para começar a entender melhor sobre o mercado de trabalho em si. Era uma empresa com 150 membros e havia uma hierarquia, com diretor, gerente, analista, trainee. Eu entrei como trainee no meu terceiro ano de faculdade.

Normalmente as pessoas entram no primeiro ano e vários colegas meus já haviam subido de cargo lá dentro. Era até engraçado porque estávamos na mesma sala e eu era trainee enquanto um amigo meu era diretor por exemplo.

Na Poli Júnior, fiquei no núcleo de tecnologia, e era como uma consultoria com clientes de fora que queriam adquirir sites e apps. Nós aprendíamos a transformar a ideia do cliente em um produto de fato. Fiquei lá um ano, participando de várias equipes e projetos, e depois já comecei a procurar um estágio fora da Universidade.

Trabalhei com várias coisas, desde construindo projetos, desenvolvendo mesmo, até como coach de trainees lá dentro, fazendo um plano de carreira para eles. 

Na sequência, surgiu um núcleo de empreendedorismo para quem tivesse interesse em estagiar em startups durante alguns meses. Me inscrevi e o Lucas (co-fundador da Pier) entrou em contato comigo. Fui chamada para cuidar das mídias pagas.

Comecei em janeiro de 2019. Eu não tinha experiência, mas ele disse que, pelo que via, eu conseguiria ir atrás e aprender. Então eu aceitei. No primeiro mês, aproveitei que estava de férias e fiz vários cursos para aprender. Só tínhamos Google e fui acompanhando, mas sugeri de entrarmos em redes sociais também e fui entendendo dia após dia como funcionava. 

Até então eu era a única pessoa cuidando desta parte, hoje somos uma equipe. O desafio é grande porque é uma startup, não uma empresa já estruturada, então muitas coisas ainda estamos aprendendo a fazer. Também preciso conciliar o trabalho com a Poli, que não é fácil, mas já estou acostumada a enfrentar desafios e está dando tudo certo!”.

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