Maurício Uehara: product designer da Pier

Maurício Uehara nasceu em Angra dos Reis, cidade na qual o pai era pescador. “Ele tinha dois barcos, saía para o mar, voltava e vendia os peixes. Minha mãe brinca que ele quase não me viu nascendo porque sempre ficava fora!”, conta. Foi com três anos que todos se mudaram para São Paulo para tentar uma vida melhor. Uehara veio com o pai no caminhão de mudança e a mãe veio com a sua irmã de ônibus. “É engraçado porque falamos tanto nas dificuldades em empreender hoje, e parece até mais fácil né? Porque naquela época meu pai veio para São Paulo com dois filhos, sem casa, sem trabalho, para começar do zero. Não sei se eu teria essa coragem!”, brinca. Em São Paulo, trabalhando em em uma barraca de pastel, a história da família foi ganhando sequência. E Uehara foi dando início ao seu caminho cheio de aventuras e recomeços, que passou por experimentar uma faculdade de Jornalismo, outra de Cinema e outra de Engenharia. Ufa!

“Lembro dos meus pais trabalhando muito. O trabalho em feira é bem pesado e eu passava pouco tempo com eles porque de manhã eles iam para a feira e eu ficava com meus tios. Na volta eu ia para casa, que era na zona leste, e ficava brincando com a minha irmã. E conforme fui crescendo fui entrando na história. Trabalhei na barraca até o quarto ano de Poli, aos sábados. E às vezes nas férias ia nos dias de semana e ajudava na feira e em casa, lavando louça, fazendo pastel. Tem essa coisa de dizerem que homem não ajuda em tarefa doméstica, mas é porque não tiveram isso quando criança, né? (risos).

Meus pais sempre me estimularam a estudar porque não puderam fazer faculdade. Então a gente trabalhava, mas o estudo era visto como algo garantidor de coisas futuras. Acho que é por isso que eu gosto tanto de estudar !

O ensino fundamental eu fiz em escola pública, e tive um professor de matemática muito dedicado a ensinar, acho que isso me inspirou. Ele nos levou para participar de olimpíadas de matemática, e eu ganhei uma. No final, quando ia entrar no segundo grau, prestei bolsa para duas escolas e passei na Federal e no Objetivo com bolsa integral. Lembro que fiquei em dúvida e acabei optando pelo Objetivo, que era bem voltado para o vestibular.

Jornalismo e Cinema — Fiquei três anos lá e passei direto em jornalismo na Unesp, em Bauru. Só que estava inseguro, não achava que era hora de morar fora de São Paulo. Cheguei lá, vi o apartamento, e percebi que não era o caso. Larguei a Unesp depois de ter levado trote inclusive. Resolvi fazer mais um ano de cursinho no Anglo, com bolsa, e já tinha decidido que ia fazer cinema desta vez.

Como meus pais não podiam pagar faculdade particular, só prestei as públicas. Não passei na primeira tentativa, mas fiz mais um ano de cursinho e passei na ECA. Fui fazer, fiquei 1,5 ano e no meio do segundo ano teve uma greve e eu tive uma crise de novo, questionando se era isso mesmo que eu queria. Eu tinha uma vontade de ser independente financeiramente e fazer cinema parecia algo errado na época. Meus pais nunca me influenciaram diretamente na decisão, mas me cobrava por estar me divertindo, talvez porque meus pais sempre trabalharam muito sem diversão. Também tem uma questão de cultura oriental, onde a gente é encaixado com o estereótipo de que somos bons em exatas. Aí eu resolvi largar a ECA e prestei vestibular para engenharia de novo e em dezembro daquele ano entrei na Poli.

Poli e curso na França — Na Poli, achava que eu tinha que ter um trabalho sério e que eu tinha que terminar o curso para pelo menos ter um diploma. Decidi que eu queria me formar o quanto antes e não peguei DP. Foi neste meio tempo que encontrei um programa de duplo diploma, onde ficaria dois anos fora e mataria um ano aqui. Pensei que seria interessante.

Me matriculei para cursos na Itália que eram em inglês. No formulário havia 5 opções e eu preenchi só duas. Na hora de entregar, a mulher me falou para preencher todas e eu acabei escolhendo a França, mesmo sem saber francês. Acabei passando na Itália e na França e pude escolher. Escolhi a França e tive 5 meses para estudar francês antes. Cheguei lá e vi que não sabia nada. Fiquei um pouco chateado no começo porque não entendia ninguém e ninguém me entendia, mas acho que na raça as coisas acontecem!

As aulas eram em francês porque não era um curso para estrangeiros. Tive que me dedicar mais, chegando em casa e estudando. Vi que sou bom em me adaptar quando o contexto muda. Eu gosto de recomeçar e estar sempre resetando. Acabei aprendendo a falar depois de dois anos lá, e eu me forçava a ficar junto dos franceses para aprender. Lá fiz um estágio de 6 meses. Aprendi que eles eram muito focados. Botavam o fone até a hora do café. Na hora do café paravam e voltavam. Não tinha essa de trabalhar muito. O objetivo era trabalhar menos horas, mas muito focados. Às 17hs da tarde todo mundo já tinha ido embora. Era bom e eu aprendi esse jeito de trabalhar.

Então me formei lá e voltei para cá para terminar o curso. Só que com dois diplomas na mão eu já não achava que engenharia era o que eu queria. Conversei com um ex-chefe meu com quem tinha feito estágio na Poli e disse que estava meio perdido. Ele me convidou para trabalhar com ele na área da Design. Era uma consultoria que programava apps de empresas.

Primeira experiência trabalhando remoto — Na época, a empresa tinha uma sede em SP e Seattle e disseram que eu poderia ir para lá. Eu fui e fiquei 6 meses. Mas era trabalho remoto e acho que não estava preparado para ter uma vida assim na época. Hoje penso diferente. Me senti longe dos amigos, senti uma falta de pertencimento lá. Voltei para o Brasil e em 3 anos estava quase liderando a equipe de Design nesta empresa. Eu assumi a área, mas comecei a pensar que deveria ir para outra empresa.

Então um diretor da Fjord me chamou para trabalhar lá. Eu queria um cargo mais baixo que não precisasse assumir liderança, e fui para ganhar menos inclusive. Era uma equipe de 50 designers e era uma consultoria. Mas algo também me dizia que consultoria ainda não era bem o que eu queria, tinha uma pressão comercial meio forte. De qualquer forma continuei até que, depois de 9 meses, recebi um primeiro contato da P2P, empresa do Igor e do Lucas antes de criarem a Pier.

A entrada na Pier — Na época, o Igor me chamou para tomar um café e me falou sobre liderar uma equipe de designers, mas eu recusei. Um tempo depois um amigo me mandou uma mensagem dizendo que havia uma startup procurando alguém com o meu perfil e eu disse que não estava interessado. Mas um outro amigo, que tinha feito Poli e faculdade na França comigo, também disse que outro amigo queria me contratar. Fui tomar um café com o Lucas, o tal amigo, e aí descobri que o sócio dele, o Igor, era o mesmo Igor que tinha me procurado um tempo atrás. Ou seja, eram vários pontos de contato! E depois de uma boa conversa filosofando sobre a vida, marcamos outro café para falar sobre trabalho. Foi aí que me encontrei!

Entrei numa fase importante por aqui em que tínhamos pouco tempo para dar um sprint. Em algum momento, a P2P se tornou a Pier. Lembro que eu e o Igor, no Natal, ficamos conversando sobre os nomes. Na época ainda pedi mais um dia para pensarmos e surgiu “Pier”. Era um nome curto, não era tão técnico, e tinha um certo imaginário. Pensamos que um Pier é uma plataforma onde o que é mais importante é a troca feita entre pessoas, barcos e lanchas e não a plataforma em si. Também existe a visão do horizonte, de um futuro a construir sempre que você está em um pier e se permite um momento para olhar. Então era exatamente o que a gente queria! E aqui estou, aprendendo, ensinando, e trocando”.

*Quer trabalhar na Pier? Confira nossa página de carreiras: https://careers.pier.digital/

Marcações:

Deixe uma resposta