Para estar perto a gente só precisa de wi-fi

O mundo todo está sentindo na pele as dores do distanciamento físico. Em plena pandemia, o isolamento social está fazendo com que a gente aprenda a estar perto sem estar junto fisicamente. Além dos relacionamentos pessoais, os profissionais também precisaram se adequar de forma muito acelerada nos últimos dias.

Para tentar deixar esse momento um pouco mais leve, decidimos contar com mais detalhes sobre o nosso modelo de trabalho. Esperamos que ele possa servir de inspiração para essa era de relacionamentos distribuídos que estamos entrando.

A RAND Corporation e os sistemas distribuídos

Em 1962, depois da Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano encomendou um uma pesquisa para a RAND Corporation que respondesse uma questão nada simples: caso haja uma Terceira Guerra Mundial ou catástrofe nuclear, como as nossas estações de comunicação devem ser posicionadas para que tenham mais chance de sobreviver?

Foi então que nesse paper chamado On Distributed Communications: I Introduction To Distributed Communications Networks, Paul Baran mostrou que a resolução para o problema não está na posição geográfica das estações de comunicação e sim na relação entre elas.


Leia o artigo produzido por Paul Baran pela RAND Corporation.

No modelo centralizado, basta desligar uma central para derrubar todo o sistema. No descentralizado, você teria que derrubar alguns pequenos centros para conseguir desativar o todo. Já no sistema distribuído, embora não esteja explicitamente representado na imagem por questões de facilidade de leitura, a ideia é que todas as bolinhas conversem entre si. Dessa forma, para derrubar um sistema distribuído, você teria que destruir 100% das bolinhas. Parece complicado, né?

Como tudo começou aqui na Pier

Aqui na Pier, a ficha caiu bem cedo de que a posição geográfica não importa tanto assim. A gente sempre quis construir uma empresa que tivesse traços de cultura que fizessem muito sentido no tempo em que vivemos e, desde o dia zero, a gente já tinha flexibilidade para home office. Mas, foi no primeiro offsite da Pier que, graças a um ET, viramos oficialmente uma empresa distribuída.

Prazer, Pietro!

Calma, gente! Não foi um extraterrestre de verdade. Esse aqui é o Pietro, nosso mascote impresso pelo pai do Fifo (nosso CTO) em sua impressora 3D depois dessa grande revelação do offsite.

Tivemos a sorte de ter Maurício Uehara no caminho. Na época ele era nosso designer e, como é muito habilidoso para as questões mais profundas, sempre nos colocava para pensar além.

O exercício que ele propôs para gente foi o seguinte: “Se ETs chegassem na Terra agora e observassem a forma que vivemos, o que eles achariam mais estranho no nosso comportamento?”. E a resposta veio, não do Pietro (claro), mas do time. 

Percebemos que os ETs iam ficar muito chocados com essa mania terrestre de fazer deslocamentos em massa para resolver coisas que poderiam ser resolvidas de qualquer lugar com wi-fi. Se lembra de alguma tarefa assim no seu dia a dia?


Tá! Distribuído é tipo remoto?

Ao longo do processo a gente entendeu que trabalho remoto é excludente. Quando uma pessoa está remota, ela está fora do escritório e isso faz com que de alguma forma ela esteja fora do esperado. Na Pier, o normal é trabalhar de onde fizer sentido para cada um e muitas vezes a resposta pra isso não vai ser o escritório.

Além disso, o trabalho distribuído permite que a pessoa trabalhe de onde ela estiver e às vezes (olha que maluquice) isso pode ser do escritório também. Acredite se quiser: é possível trabalhar distribuído de dentro do escritório e é exatamente isso que fazemos.

Aqui na Pier, se uma única pessoa estiver em outro lugar, a regra de ouro é que cada um entra na reunião pelo seu próprio computador. Isso é importante para colocar todo o time na mesma situação de dificuldade e não causar assimetria na participação de ninguém por algum problema de estrutura, por exemplo. Como temos pessoas distribuídas fora do escritório em todos os times, são raras as reuniões que acabam acontecendo fora de uma videoconferência.

O futuro é distribuído

A gente acredita que o futuro do trabalho é distribuído e achamos que se essa pandemia puder deixar um legado de coisas positivas para esse mundo, uma delas pode ser as pessoas experimentando esse modelo de trabalho e entendendo que não só é possível operar dessa forma, mas que também há muitos benefícios nisso. A gente sonha com um mundo em que a gente possa sempre pedir os olhos do Pietro emprestados para rever nossos conceitos e comportamentos.

Claro que começar a operar um time grande de um dia pro outro em modo distribuído é um desafio enorme. Escrevemos até um artigo com algumas dicas dos aprendizados que tivemos nesses dois anos de operação distribuída. No geral, o importante é lembrar de manter a rotina nos eixos e criar um ambiente saudável para o seu rendimento.

Começamos com o trabalho distribuído quando ainda éramos um time de menos de 10 pessoas e pra gente, trabalhar fora do escritório não é privilégio de poucos e sim direito de todos. Hoje somos um time de quase 70 pessoas e todos têm liberdade de escolher o seu escritório do dia: em casa, no parque, em um coworking, na Lua… 

Mas, é importante deixar bem claro que, atualmente, por causa da pandemia, nosso escritório está fechado e todos os nossos Piers estão trabalhando em home office.

É bom para as pessoas e é vantagem competitiva

Quando as estatísticas do COVID-19 foram chegando perto da gente e com muita rapidez o cenário mudou completamente, demos ainda mais valor para o modus operandi que escolhemos lá atrás. Aqui na Pier pouca coisa mudou do ponto de vista de trabalho. Algumas pessoas gostam de ir ao escritório e faziam isso diariamente, mas já tinham o hábito do trabalho distribuído, já que mesmo no escritório, todas as nossas reuniões e dinâmicas de times são feitas dessa forma.

O que mudou nesse cenário, que é absolutamente importante, é a necessidade de olharmos mais de perto para a saúde mental e isso é muito importante para gente. Entendemos que ao permitir que as pessoas trabalhem de onde faz sentido pra elas, contribuímos diretamente para a manutenção da plenitude na vida delas. Nesse artigo falamos mais sobre como isso afeta também a produtividade do time. 

Pra gente, o Google é referência em testar coisas, aprender rápido e documentar muito bem. Em 2019 eles lançaram um relatório muito interessante sobre o modelo de trabalho deles que, como o nosso, acontece parte no escritório e parte fora dele.

Segundo os dados do relatório, 2 de cada 5 grupos de trabalho acontecem com pessoas em locais diferentes e 30% das reuniões feitas na companhia acontecem com pessoas em dois ou mais fusos horários. Apesar da complexidade, eles ficam felizes em constatar que não percebem diferença alguma na produtividade das pessoas.

Por aqui, estamos muito satisfeitos com a alta performance do nosso time e isso não é difícil de explicar. Imagine que se você se conhece melhor do que ninguém, trabalhar em um ambiente criado por você mesmo te permite ter muito mais controle da relação direta que o ambiente pode ter no resultado que você entrega. Por exemplo, você decide quando toca música e em qual volume, se a janela fica aberta ou fechada, se pets são permitidos ou não etc…

De olho nas belezas sutis

Sabemos que agora as coisas só parecem muito caótica. Mesmo assim, fica o nosso convite para a gente enxergar a beleza sutil das coisas. Com certeza, a chance de experimentar e se apaixonar pelo trabalho distribuído é uma delas. 

É certo que somos mais fortes juntos, mas não precisamos mais estar juntos fisicamente para estar perto. Viva essa nossa era digital!

Para estar junto a gente não precisa estar perto.

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