Pier no divã: uma conversa sobre a busca da plenitude

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“Como alguém se torna uma borboleta? Basta querer tanto voar até chegar ao ponto de estar disposto a desistir de ser uma lagarta.” — Trina Paulus

Para nós da Pier, felicidade e plenitude estão intimamente relacionadas. Plenitude é o solo fértil em que escolhemos cultivar os nossos cedros, ou pilares de cultura. E assim como existem vários tipos de solos, existem também várias maneiras de atingirmos esse estado de espírito de integridade e completude que leva à felicidade.

Entendemos que, evidentemente, ser pleno e feliz não tem uma fórmula pré-determinada e, conforme estamos crescendo e convivendo com mais gente aqui na Pier, estamos lidando com mais e mais formas diferentes de encontrar esse estado de espírito que tanto prezamos.

Correndo, mergulhando, lendo, lecionando ou fazendo o que quer que te faça feliz, você não está só ampliando seu repertório de atividades, está também exercitando um distanciamento saudável para o bom desempenho do seu trabalho ou de qualquer outra atividade que te exija foco. A incapacidade de desconectar do trabalho causa estresse, que por sua vez leva à escassez de pensamento estratégico.

Incentivar as pessoas a viver suas vidas de forma plena é uma grande motivação nossa. A reflexão que gostaríamos de trazer para este artigo é: como é possível sermos mais ativos na busca pela plenitude e, consequentemente, pela felicidade? Antecipando a resposta: a busca pela plenitude é um caminho e não um fim e exige muito esforço.

Se ela precisa que haja vento, então sopre!

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“A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar.”


trecho de A Felicidade, de Antonio Carlos Jobim

Antes de sair procurando por plenitude, sente-se, respire fundo e dedique-se a entendê-la: saiba que até ela tem suas limitações. Por exemplo, é um erro perigoso acreditar que ser feliz é uma consequência natural da existência humana, já que essa ideia pode causar um sentimento de culpa naquele que simplesmente se vê “incapaz de ser feliz”. Uma pesquisa da Universidade de Manchester mostra que a culpa tem um papel significativo nos quadros de depressão. Portanto, a culpa é um peso que você não quer carregar.

Outro aspecto importante sobre a felicidade a ser considerado por quem não quer entrar em frustração pela falta dela é que ser feliz é um evento episódico e não contínuo. Isso significa que ninguém é feliz o tempo todo e é exatamente por esse motivo que somos capazes de perceber quando estamos felizes.

Não sendo uma condição intrínseca da nossa existência e não sendo continua, como é possível desenvolver um método para encontrar esse estado de espírito em nosso dia-a-dia? De novo, a resposta é um caminho: “conhece-te a ti mesmo”.

Isso porque a felicidade não é sentida da mesma forma por todos e nem encontrada nos mesmos lugares. Ser pleno, significa se conhecer tão bem a ponto de ser capaz de conduzir a si próprio na direção da felicidade.

Se não pode vencer-se, junte-se a si mesmo!

“O pior inimigo que você pode encontrar é você mesmo” Friedrich Nietzsche

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Autoconhecimento é um bem necessário, mas nem todo mundo gosta. Um estudo da Universidade da Califórnia mostra que a maioria das pessoas preferiria tomar choques elétricos a ficar sozinha com seus próprios pensamentos. De fato, ouvir os seus próprios pensamentos pode não ser fácil, mas é uma tarefa necessária para a higiene da mente, que precisa ser feita com frequência, como escovar os dentes: não adianta passar meia hora escovando em um dia e nos outros simplesmente não escovar.

A meditação é um método muito eficiente para manter a mente saudável e atenta, inclusive amplamente utilizado no mundo dos negócios. Algumas empresas dão incentivos aos seus funcionários para que pratiquem meditação. O Mindfulness, ou Atenção Plena, é a consciência que tomamos quando prestamos atenção no momento presente, quando observamos sem julgamentos a situação em que estamos.

“Ao deixar de viver no automático, a pessoa fica mais atenta ao seu cotidiano, o que gera novas ideias” — Ellen Langer, psicóloga, pesquisadora da Universidade Harvard e autora do livro “Mindfulness”

Um artigo publicado no Journal of Happiness Studies mostra que essa prática promove tanto a felicidade hedónica quanto a eudaimónica e é capaz de deixar as pessoas mais felizes e produtivas. Além disso, comprovadamente, a Atenção Plena promove a redução do estresse.

Entrando no flow

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Talvez você já tenha atingido esse estado contemplativo, alcançado pela prática da meditação, na execução de outras tarefas como praticando um esporte, cozinhando a até mesmo trabalhando. O estado de flow (fluxo em inglês) corresponde a esse momento em que a sua atenção está completamente voltada para o momento presente e nada mais importa à sua volta. Esse estado de atenção está intimamente ligado à plenitude, já que o encontramos com muita facilidade naquilo que nos preenche e nos faz felizes.

O psicólogo húngaro, Mihaly Csikszentmihalyi, foi quem escreveu sobre o estado de Flow. Segundo ele, a falta de recursos financeiros pode influir negativamente na capacidade do indivíduo de entrar nesse estado. Contudo, após um certo patamar, mais ganhos não influenciam para uma maior capacidade de entrar no flow.

Ou seja, tranquilidade financeira nos permite ter mais capacidade para a concentração no momento presente. Mas, após um certo nível de aquisições, isso não mais tem importância. Então, o que mais teria importância nessa conta?

Relacionamentos

“Solidão mata. Ela é tão poderosa quanto o tabagismo e o alcoolismo.” — Robert Waldinger, diretor da Pesquisa de Desenvolvimento Adulto, de Harvard

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Há quase 80 anos, Harvard vem desenvolvendo um estudo com homens norte-americanos sobre suas rotinas, trabalhos, vidas amorosa e doméstica etc. Atualmente, aproximadamente 60 dos 724 homens que o Estudo do Desenvolvimento Adulto se propôs a estudar ainda estão vivos e participando da pesquisa.

Com o passar de tantas décadas, os pesquisadores de Harvard puderam enfim começar a analisar pontos em comum entre as vidas dos participantes. Especificamente sobre felicidade, eles descobriram que o que poderia ter previsto, lá atrás, uma vida de alegrias eram os bons relacionamentos. Segundo eles constataram, os bons relacionamentos não necessariamente são aqueles sem conflitos, mas sim aqueles em que as pessoas envolvidas sabem que podem contar umas com as outras.

Relações de confiança são a maior expressão de nós mesmos em conjunto com os outros. Ali, transbordamos toda a carga de autoconhecimento e capacidade de compreensão que adquirimos. Aquele que não sabe lidar bem consigo mesmo, provavelmente terá dificuldades em lidar com os outros.

Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar


trecho de Cantares, de Antonio Machado

Tanto a construção da relação consigo mesmo quanto a construção da relação com os outros pressupõe muita entrega pessoal e tempo de maturação para o aprimoramento. Por isso, quando buscamos ativamente por plenitude, precisamos estar abertos a cultivar essas relações, criar vínculos significativos e, principalmente, saber apreciar o caminho.

Nossas contratações e a plenitude

Aqui na Pier, quando fazemos contratações, buscamos pessoas que estejam ativamente à procura da plenitude, seja no estilo que for.

Esse caminho é tão importante para nós, que logo que um novo integrante chega à Pier, dedicamos de uma a duas semanas para essa busca. Nas primeiras semanas, nossas contratações se dedicam inteiramente ao seu autoconhecimento e ao olhar para o caminho que têm pela frente.

O objetivo nas primeiras semanas não é a entrega de um modelo de dados, um novo layout para o App ou novo artigo para o nosso Blog. Nas primeiras semanas na Pier, nossas contratações nem vêm ao escritório. Os novos integrantes ganham esses dias para se desconectarem do trabalho anterior, e se conectarem consigo mesmos da maneira que acharem melhor: viajando, fazendo um curso de culinária, refletindo em casa…

Acreditamos que esse momento de ruptura é crucial para a construção de um novo capítulo com plenitude.

Autoconhecimento, capacidade de conectar e desconectar das coisas e abertura para relacionamentos fortes e duradouros são apenas algumas das pistas que usamos para identificar pessoas que aspiram uma vida plena.

Que caminhos você tem seguido para atingir a plenitude e felicidade em sua vida?


Se você se interessou em saber mais sobre a cultura da Pier, recomendamos esse artigo em que abrimos nossas portas para mostrar como somos por dentro.

https://blog.pier.digital/como-diz-o-ditado-os-costumes-de-casa-vao-a-praca/

proposta da Pier é mudar a relação das pessoas com os serviços de proteção a partir de um modelo em prol dos usuários que os dê mais autonomia e liberdade.

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