Consumo consciente: precisamos falar sobre isso!

Neste mês de Novembro acontece a Black Friday e, aqui na Pier, temos uma posição bastante firme com relação ao consumo desenfreado que o mercado em geral prega nesta época: nós não brincamos com algo tão sério, e preferimos estimular a escolha consciente na hora das compras.

Acreditamos que quem consome conscientemente ganha liberdade de escolha, e não vale apenas para seguros, mas para qualquer tipo de produto ou serviço.

É por isso que durante as próximas semanas trataremos de educação financeira e consumo consciente por aqui! Para saber sobre nossa forma de pensar, acesse nosso artigo “Por que não brincamos com a química por trás das compras”.

Uma entrevista para começar nossa reflexão

Iniciamos nossa jornada com uma entrevista com a planejadora financeira da Par Mais Annalisa Dal Zotto. Confira!

Pier: Annalisa, neste fim de ano em que temos Black Friday e entrada de 13ºsalário na economia, qual a importância de adotarmos uma postura de consumo consciente e por quê?

Adotar uma postura de consumo consciente é importante em qualquer época do ano. Tem que ser um hábito de vida. A gente precisa desenvolver estratégias para criar hábitos de vida saudável com relação ao consumo, para vivermos mais felizes, termos mais tranquilidade e controle da situação financeira.

A Black Friday provoca muitas tentações e geralmente ela acontece depois que a gente já recebeu a primeira parcela do décimo terceiro salário. Essa é uma época legal, com bastante ofertas e descontos. Mas não é porque tem desconto que precisamos comprar. Como ainda temos alguns dias até lá , o ideal é verificar o que a gente realmente precisa e verificar se cabe no bolso.

Vamos supor que ninguém tenha dívidas e não precise usar a parcela do décimo terceiro para esse fim e nem para ter uma reserva de segurança. Precisamos lembrar que a gente recebe em novembro e dezembro o décimo terceiro salário, mas temos também que lembrar das despesas das festas de final de ano, dos filhos que estão de férias e acabamos gastando mais com lazer e passeios etc. Tem também o material escolar para comprar, tem o IPTU, que muitas prefeituras lançam excelentes oportunidades para pagamento à vista. Enfim, é uma época de grandes despesas.

Supondo que você já está organizado para todas essas despesas e pretende usar o dinheiro do décimo terceiro para comprar aquilo que precisa, prefira comprar à vista, porque esse dinheiro uma hora vai acabar. É um dinheiro que entrou e não vai fazer parte do fluxo de caixa sempre, por isso, é importante ter hábitos financeiros saudáveis. Opte por comprar e pagar à vista para não ficar devendo, pois o ano já inicia com diversos gastos extras. O dinheiro extra do décimo terceiro também pode ser uma boa oportunidade para fazer compras de natal.

Pier: Quais conselhos você daria para quem está pensando em comprar algumas coisas nesta fase? Como usar o dinheiro com inteligência?

Para usar o dinheiro com inteligência, é preciso pensar também no consumo de natal. O ideal é fazer uma lista de produtos e presentes que quer comprar e verificar o valor desse volume de compras. Definindo o valor de cada item, fica mais fácil procurar algo que se encaixe no orçamento.

Uma boa época para fazer pesquisas de preços é agora, porque quando chegar a Black Friday você saberá se a empresa está dando um desconto real ou não. Tem empresas que aumentam o preço para baixar em seguida, fazendo uma simulação, mas na verdade não tem desconto nenhum ali. 

Pier: Com relação às compras realizadas por impulso, como diminuir os riscos?

A gente precisa elaborar uma série de estratégias para não deixar o nosso cérebro fazer isso com a gente. Então é muito importante fazer orçamentos para tudo, verificar e estudar se tem dinheiro para fazer a compra. Se a gente sabe que não tem dinheiro, fica mais fácil controlar o impulso, pois dessa forma a gente sabe o que cabe ou não no bolso.

“Ah, mas eu não consigo!” Então, talvez não ter cartão de crédito pode ser uma estratégia, ou ter o cartão de crédito e deixar com alguém de confiança. Se a grana está curta, não escolha, por exemplo, o shopping para tomar café com as amigas, escolha um outro local, que seja mais barato. Faça trocas inteligentes. 

Na época de liquidações, separe as peças que você gostou e deixe ali com a vendedora, mesmo que ela diga que não vai guardar, e saia para dar uma voltinha. Essa volta vai ser importante para não permitir que o lado emocional do cérebro fale mais alto. Saindo para dar uma volta, a gente consegue racionalizar, fazer as contas e avaliar se é necessário realizar aquela compra ou não. Racionalizar é a melhor estratégia para controlar os impulsos.

Pier: Ter metas e planos financeiros é importante para cuidar melhor do dinheiro e não gastar à toa como nestas ocasiões?

Essa pergunta é ótima! Com certeza ter metas é muito importante. Porque não faz sentido ficar guardando dinheiro a vida inteira se não tem um objetivo para aquele dinheiro. Então, é muito legal ter objetivos de médio e longo prazos e ter um objetivo de viver de renda. Muitas pessoas não têm esse objetivo e, segundo estudos, somente 1% dos brasileiros conseguem se manter na aposentadoria. É muito triste essa realidade brasileira.

Então, ter o objetivo de ter uma vida confortável é muito importante. E a gente sabendo quanto que tem que economizar por mês, fica até melhor pra poder gastar sem culpa quando sobra um dinheirinho. Ou seja, se você guardou dinheiro para os objetivos, pagou todas as contas e sobrou uma grana, você pode poupar mais para o seu objetivo ou você pode gastar, podendo se presentear com alguma coisa que deseje muito, por exemplo.

Pier: Finalmente, qual a importância das pessoas se educarem financeiramente para não caírem em armadilhas? O que você recomenda para quem quer começar a aprender ou quer melhorar o aprendizado? 

A importância das pessoas se educarem financeiramente é fundamental. É muito legal aprender técnicas de finanças pessoais e aprender também um pouco sobre como funciona o seu cérebro. O autoconhecimento é muito importante para não cair em armadilhas. Tem muito conteúdo sobre finanças comportamentais, economia comportamental ou técnicas de finanças pessoais que explicam como as pessoas agem com seu dinheiro e assim a gente pode se reconhecer na situação e avaliar qual estratégia usar para não cair em uma armadilha.

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