Minas Gerais, mineiro, pão de queijo

Vamos falar de pão de queijo e memórias afetivas?

Vamos falar de pão de queijo e memórias afetivas?

Você já sabe que aqui na Pier nós gostamos de momentos de plenitude. Aquela pausa para o café, portanto, acaba sendo tão necessária quanto respirar para a gente. E nada melhor para acompanhar esta iguaria de que até já falamos por aqui no blog que um bom pão de queijo, não é verdade? 

Aliás, os nossos piers mineiros e o nosso co-founder Lucão, que nasceu em Três Corações, sempre nos lembram dessa delícia. E você também gosta de pão de queijo? Pensar nele te traz alguma recordação afetiva? 

Para o mineiro Thiago Gois, que faz parte da equipe Pier, nasceu em Ituiutaba, mas mora em São Paulo, existem três tipos de pão de queijo: aquele feito na fazenda com ovo caipira e queijo curado, “muito macio e amarelinho com bastante gosto de queijo”; o feito em casa, “que é mais branquinho, mas bom para tomar café na manhã de domingo”; e os comercializados e vendidos fora de Minas Gerais, “que não são pão de queijo de verdade”, brinca. 

Para começar este papo bom demais da conta, confira a história que o Thiago conta e aproveite para deixar as lembranças correrem soltas também:

Thiago Gois e os pães de queijo “de verdade”

“Eu comi muito pão de queijo a minha vida toda e ainda como. E eu tenho três lembranças marcantes relacionadas a pão de queijo. Uma é da minha infância, dos meus 8 aos 12 anos, quando eu sempre ia para a casa da minha tia aos domingos de manhã e tinha pão de queijo e café com leite.

Outra lembrança é de quando a gente jogava bola na rua o dia todo e, no fim da tarde, minha mãe me chamava e chamava meus amigos para lancharmos pão de queijo.

E tem a terceira que é de quando já mais velho, cheguei em casa cheio de fome depois do trabalho. Vi um monte de pães de queijo em cima da mesa da cozinha da minha casa e comi quase todos, mas depois soube que minha tia tinha feito para levar a uma festa.

Só que mineiro não pensa duas vezes quando vê pão de queijo (risos), e como eu tinha devorado todos, tive que sair debaixo de chuva para poder comprar de volta os pães de queijo que eu tinha comido!

Eu sou muito fã de pão de queijo tradicional, mas acho que, apesar de comer pão de queijo ser muito bom, a melhor coisa que eu lembro relacionada a ele é quando a gente junta todo mundo para fazer (minha mãe, minhas irmãs e minha sobrinha) e cada um faz um pouquinho e vai roubando a massa ainda crua. Quando eu lembro disso é quando mais sinto saudades de casa!”. 

Alice, sobrinha do Thiago que trabalha na Pier
Essa linda é a Alice, sobrinha do Thiago Gois.

E agora um pouco de história para contextualizar:

O tradicional pão de queijo nasceu no estado de Minas Gerais em meados do século 18 – mas há quem diga que os registros sobre ele podem ser ainda mais antigos. O fato é que, naquela época, a farinha de trigo não era facilmente encontrada na região. Ela precisava ser importada de Portugal e, por isso, chegava ao Brasil já sem qualidade, quase imprópria para o consumo. 

Por outro lado, as fazendas produziam muito queijo e polvilho (farinha obtida da mandioca), os principais ingredientes do petisco. Assim, as cozinheiras que trabalhavam para os senhores de terra incorporavam esses alimentos em suas preparações. Para o pãozinho, elas aproveitavam também o que sobrava da produção do queijo, um componente chamado grosa, e os produtos que não ficavam tão macios por conta dos fungos. 

Pão de queijo e café, dupla infalível

Segundo pesquisadores de história gastronômica, quando a fórmula foi desenvolvida, ela só era servida durante ocasiões especiais. Sempre que chegava uma visita, o dono da casa pedia à cozinha que preparasse a iguaria. A conversa era então acompanhada por pães de queijo quentinhos e café fresco. 

Além disso, as bolinhas de queijo só deixaram o solo mineiro e se tornaram populares no resto do país a partir da década de 1950.

“A minha avó fazia um pão de queijo maravilhoso. Ela comprava uma massa pronta, recheava e amassava.”, (Chell, a responsável por encantar com as ilustrações por aqui, que nasceu no sul de Minas, em Poços de Caldas).

Uma receita simples, mas saborosa 

Na hora de fazer o quitute, dizem que o melhor resultado, ou seja, aquela casquinha crocante e recheio macio, é alcançado quando se usa queijos mineiros, especialmente os que são mais gordurosos e resistentes, como o Serra da Canastra. (Alô membros mineiros, é isso mesmo?)

Já o polvilho deve ter granulação média. E nada de usar um pacote aberto há muito tempo: quanto mais nova a farinha, maior seu potencial de fermentação, processo essencial para manter a textura do pão de queijo. Você pode usar tanto o polvilho doce, que deixa os pães mais pesados e crocantes, ou o azedo, para uma fornada mais leve e sequinha. Se quiser equilibrar, misture os dois tipos de polvilho.

Quer deixar a receita ainda melhor? Então deixe a criatividade rolar e tente incrementar seu pãozinho com outros acompanhamentos, como doce de leite, goiabada e requeijão.

Você sabia?

Confira algumas curiosidades sobre o pão de queijo. 

  • Petisco saudável: o pão de queijo é um alimento cheio de nutrientes, principalmente sais minerais, vitaminas, carboidratos, água, gordura e proteína. Para incluir o petisco em uma alimentação equilibrada basta não exagerar na quantidade, pois cada unidade de 25 g possui cerca de 70 calorias, e escolher bem os ingredientes que vão compor a receita. Se optar por versões congeladas, fique de olho no rótulo e tome cuidado com a quantidade de sódio. 
  • Zero glúten: a receita tradicional é composta apenas de queijo, polvilho, ovos, óleo, leite ou água. Isso significa que não contém glúten, portanto, é seguro para celíacos e quem tem intolerância à proteína. 
  • Dia Nacional do pão de queijo: o dia 17 de agosto foi escolhido para homenagear a iguaria em 2007. Naquela data foi realizada a etapa final de um concurso promovido por uma emissora de televisão para selecionar a melhor receita de pão de queijo do Brasil. 
  • Hermanos do pão de queijo: apesar de ser brasileiríssimo, o pão de queijo ganhou algumas variantes em outros países da América do Sul. No Paraguai e na Argentina, por exemplo, ele é chamado de chipa (um petisco também bastante famoso em diversas cidades do Brasil). No Equador, é conhecido como pan de yuca (pão de mandioca). Já em terras colombianas existe um pãozinho mais duro e achatado, o pan de bono, que lembra muito a bolinha de queijo mineira. 

*E depois desse papo, que talvez tenha te dado fome, conta pra gente: o que você lembra quando pensa em um bom pão de queijo mineiro?